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Nutrição Clínica Veterinária



Os gatos são carnívoros estritos (ou obrigatórios), o tipo mais extremo de predador que existe. Na natureza consomem os tecidos dos animais que abatem e um pouquinho de gramíneas, que auxiliam o trânsito gastrintestinal e previnem problemas com bolas de pelo.

O metabolismo felino é tão carnívoro que simplesmente não consegue aproveitar certos nutrientes presentes em alimentos vegetais. Felinos não são capazes, por exemplo, de converter o betacaroteno da cenoura em vitamina A, o que os obriga a consumir a vitamina A pronta, como a presente no fígado. Também não conseguem conjugar os aminoácidos metionina e cisteína para fabricar taurina, um aminoácido essencial à saúde dos olhos e ao coração. Felizmente, taurina é o que não falta na dieta natural dos gatos, já que é abundante em carnes e vísceras cruas (o cozimento destrói esse aminoácido).

Os felinos possuem inúmeros outros requerimentos particulares, como os aminoácidos arginina e niacina, o ácido araquidônico e ômegas-3 de origem animal. Nomes técnicos à parte, basta oferecer ao gato saudável uma dieta predominantemente carnívora, variada e devidamente balanceada que seus requerimentos específicos serão bem atendidos. Como ocorre na natureza.

Sobre os cães, um lobo pode subsistir perfeitamente, crescer, se reproduzir e criar seus filhotes se alimentando exclusivamente dos tecidos de suas presas. Complementam a dieta dando suas bocadas, aqui e ali, em frutas, raízes e gramíneas. Mas em momentos de escassez de alimentos, eles se viram como podem, ingerindo até fezes de outros animais. Os cães foram os primeiros animais a serem domesticados pelo homem (homo sapiens) há mais de 30 mil anos a.C., com a domesticação foram adquirindo algumas adaptações limitadas para aproveitar os restos da nossa dieta rica em carboidratos.

Por isso dizemos que os cães são carnívoros mais flexíveis que os gatos. São carnívoros oportunistas, predadores com tendências omnívoras. Mas é preciso ter cuidado com interpretações precipitadas. O fato dos cães apresentarem certas adaptações para digestão de amido (carboidrato) não quer dizer que uma dieta com pouca (ou, pior ainda, nenhuma) proteína de origem animal e uma abundância de vegetais seja uma opção saudável.

Um cão pode sobreviver comendo uma dieta sem carnes, balanceada, com adições que supram as limitações do vegetarianismo. Mas no nosso modo de ver, sobreviver não é o mesmo que florescer, que atingir todo o potencial genético com a dieta que a evolução preparou o animal ao longo de milênios para consumir.

Como relata em seus livros o Professor de Nutrição Veterinária da universidade francesa de Alfort, Dominique Grandjean: “o responsável pela domesticação do cão e do gato, o homem, tem o dever de alimentá-los de acordo com as suas verdadeiras necessidades específicas, e não em função das suas projeções humanas. Esta é a primeira regra do verdadeiro respeito ao animal.”

Os omnívoros ou onívoros são os animais com capacidade para metabolização de diferentes classes alimentícias, tendo assim uma dieta alimentar menos restrita que a dos carnívoros ou herbívoros. Normalmente são predadores, mas têm o aparelho digestivo adaptado a metabolizar diferentes tipos de alimentos.

Os mamíferos que são omnívoros, por exemplo, têm dentes caninos menos desenvolvidos que os carnívoros e os incisivos e molares menos complexos que os herbívoros.

Alguns exemplos de onívoros:  ser humano, chimpanzé, urso, morcego, rato e porco.

Rodolfo Giannetta
Médico Veterinário
Graduado pela Universidade Metropolitana de Santos UNIMES
Pós Graduado em Cirurgia e Anatomia de Pequenos Animais pelo CETAC
E-Mail: rodolfogiannetta2@gmail.com / rodolfovetsantos@hotmail.com
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